Experiências no Turismo

Falar de turismo de experiência hoje em dia já nem é mais tão inovador assim, como já foi há alguns anos atrás, mas por outro lado, apesar do conceito já estar bastante disseminado nos ambientes virtuais (encontrei mais de 4 milhões de páginas em português com informações a respeito) ainda há muito que se apreender para implementar as práticas no mercado de turismo brasileiro.

Encontrei uma antiga reportagem na Folha, de abril de 2015, falando sobre o crescimento do turismo de experiência e o sucesso dos roteiros que oferecem oportunidades de interação com as pessoas e a cultura das localidades visitadas. A reportagem fala de experiências como mochilar na Transiberiana, que é a maior linha férrea do planeta com 9.500 kilometros de extensão ou então hospedar-se em típicas hospedarias japonesas que remetem aos costumes do Japão antigo cheio de samurais e gueixas. O que me chamou a atenção neste último pacote é a possibilidade de que o turista seja atendido por funcionários japoneses que não falam inglês, ou seja, a falta de comunicação com a equipe da hospedaria é uma experiência valorizada. Estou pensando até agora no que podíamos fazer, a partir desse posicionamento de marketing, nas pousadas pantaneiras, por exemplo.

Ainda citando a reportagem da Folha, um gerente de agência de viagens afirmou que o ponto de partida para os roteiros comercializados é a pergunta “do que você gosta?” e não “onde você deseja ir?”. A matéria apontou também que os roteiros agora são divididos por temática de experiência e não pelo nome dos lugares. Gosto disso, sabia?! Mostra a profissionalização das agências de viagens ao se concentrar no cliente e não mais no produto, assim, a partir do que o cliente deseja, cria-se uma cartela de produtos e serviços. É como uma agência de viagens que anunciou a algumas semanas o serviço de um “mordomo na praia para fazer castelos de areia com as crianças”. Muita gente criticou a iniciativa na internet mas, sinceramente, achei a sacada genial. A agência oferece um entretenimento de qualidade com um artista que pode ensinar as crianças a fazer esculturas na areia e provocar uma nova experiência em família, na medida em que todos podem divertir-se juntos e aprender algo novo. E não se trata aqui só de falar da geração da mexerica descascada… tem mais coisa envolvida.

Foto: Kalma.com.br

Foto: Kalma.com.br

A experiência não está ligada ao preço mas, está diretamente ligada ao valor emocional que pode gerar para o cliente. É preciso criar uma conexão emocional entre a atividade realizada e o visitante. Para conseguir esse efeito é preciso ter muito foco no cliente e seriedade na busca por conexões reais e significativas, porque há um risco muito grande de se criar uma “experiência” que não passa de mais do mesmo. Não basta trocar o nome da visita a cachoeira para “experiência das águas mágicas”… Consegui explicar?!?

Tenho que dizer que também tenho uma certa resistência com esses momentos com as comunidades locais que frequentemente são oferecidos em roteiros de experiência. Às vezes, quando não é bem planejado e executado, corre-se um grande risco de se apresentar um teatro sem graça e falso. Até porque esse cliente que busca uma experiência turística é alguém com mais criticidade e experiência de consumo, se me permitem a repetitividade. Em suma, esse consumidor tem condições de comparar seu produto ou serviço de experiência com muitas outras vivências que ele já teve, o que o coloca em uma posição privilegiada de crítico. Nesse contexto sou curiosa para saber se há demanda para aquele hotel de luxo, na África do Sul, que oferece uma hospedagem diferenciada onde se pode experimentar a sensação de viver em uma favela daquele país, no Emoya Luxury Hotel and Spa. Será? Você iria?

Sou absolutamente encantada com inovações no turismo, sempre leio sobre o assunto e, quando possível, consumo também. Acredito que viajar a novos lugares nos proporcione uma oportunidade maravilhosa de redespertar de nossas zonas de conforto cotidiano… por isso talvez me interesse tanto por essa oferta de turismo de experiência. Hoje por exemplo eu vi uma reportagem na Globo News sobre um roteiro de turismo na Polônia, onde os visitantes podem entender melhor a vida naquele país durante o comunismo. Fiquei pensando que no capitalismo até o comunismo é vendido como um produto… Bizarro.

Mas fechando essa conversa quero dizer que minha lista de desejos de viagem é infindável e até hoje a vivência que mais me marcou foi a visita ao Ukutula Lion Park quando me senti criança e absurdamente feliz ao poder brincar com os leõezinhos. Foi emocionante e até hoje é, quando vejo as fotos!

Foto: PublicDomainPictures

E você?! Quais as experiências de viagem que te marcaram? Quais experiências o seu estabelecimento proporciona aos hóspedes?

Ana Cristina Trevelin, consultora e diretora da Bionúcleo Gestão e Desenvolvimento – www.bionucleo.com.br

2 replies on “Experiências no Turismo”

  1. Soeli castilho disse:

    De vez em quando leio seus blogs e acho algumas colocações bem interessantes, porem discordo quando vc fez uma colocacao sobre a Polônia vender um turismo sobre o comunismo (bizarro) Isso e historia e conhecimento e sempre que vou a algum lugar procuro ler o maximo possivel e conhecer o máximo de sua historia, especialmente quando e muito diferente da realidade em que vivo. Estive na Polonia atras da historia, principalmente sobre o holocausto e embora nao fui atras da historia do comunismo, visitei varios museus sobre esse assunto

  2. Oi Soeli!!
    Olha eu quero muito agradecer a você por ler nossos posts! Muito obrigada porque as vezes quando se escreve assim, na internet, a sensação é que estamos escrevendo um diário em apenas nós, autores, lemos. Aliás, sei que é essa é a realidade de muitas linhas escritas, nesse mar de conteúdo! E, gratidão por você ter escrito esse comentário dizendo sobre o “Bizarro” do turismo de experiência na Polônia! Percebi que não fui clara o suficiente no texto!
    Eu me referia ao fato de que a cultura ou o conceito filosófico do comunismo, que é voltado para o “comum”, o compartilhar, estar sendo comercializado como um produto turístico pelo capitalismo. Provando que no sistema capitalista tudo pode ser transformado em produto ou serviço – até o comunismo. Isso me pareceu bizarro: essa apropriação de um conceito filosófico de forma tão antagônica e dualista. Mas não vejo o turismo em si como bizarro, aliás eu gostaria muito de ter tido a sua experiência de visitar a Polônia. Deve ter sido uma experiência riquíssima!
    Obrigada mais uma vez!
    É prazeroso saber que quem nos lê, tem tanto cuidado e atenção!
    Grande abraço!

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